segunda-feira, 24 de março de 2008

Carolina Michaelis 1

Comentário retirado de:
http://socratinice.blogspot.com/2008/03/vital-moreira-j-reagiu-ganda-cena-do.html

Vital Moreira já reagiu à "ganda cena" do telemóvel.

Não conseguiu produzir uma interpretação jurídica conforme à CRP que excluísse a ilicitude do acto de uma aluna que ofendeu rudemente uma professora.

Mas, à sua boa maneira, retirou toda a responsabilidade de actos como este ao Ministério da Educação, atirando-os para as escolas e sobretudo para os professores.

Eis a sua bela pérola socratina, digna de um qualquer Valter Lemos:



O que admira é que muitas escolas continuem sem tomar medidas elementares, como proibir telemóveis ligados na sala de aula, determinar a expulsão imediata de quem viole a ordem nas aulas e proporcionar aos professores um meio de contacto imediato para solicitar ajuda em caso de violência na aula. Além de obrigar a reportar todas as situações de indisciplina e aplicar o regulamento disciplinar, evidentemente. E, por último, formar os professores na gestão de situações de indisciplina.
As escolas não podem pactuar com cenas de delinquência juvenil como estas.



Respondamos:

1.º - O uso dos telemóveis está proibido em todas as salas de aula, como decorre do Art.º 15, al. q) do Estatuto do Aluno independentemente da sua transposição para o Regulamento Interno;

2.º - De acordo com as normas ministeriais em vigor um aluno não deve ser expulso pelo simples facto de possuir ou usar um telemóvel. A ordem de saída da sala de aula é «aplicável ao aluno que aí se comporte de modo que impeça o prosseguimento do processo de ensino e aprendizagem dos restantes alunos». Este era o teor do Art.º 30 do anterior Estatuto do Aluno. Já não consta expressamente do novo Estatuto, mas continua a ser esse o entendimento do Ministério da Educação e continua a ser essa a prática das escolas em obediência à filosofia das luminárias da Avenida 5 de Outubro. A ordem de saída da Sala de Aula é sempre um procedimento excepcional, a aplicar na falta de outro procedimento e se o comportamento do aluno impedir o normal funcionamento das actividades lectivas. Uma simples advertência pode resolver a situação na maior parte dos casos, desde que o aluno desligue ou recolha o aparelho. As escolas prevêem geralmente a possibilidade de o telemóvel ser "confiscado" por um determinado período de tempo e até a obrigatoriedade de ser o encarregado de educação a vir recuperar o telemóvel ao Conselho Executivo.
O professor que aplique imediatamente ordem de saída da sala de aula a um aluno que tenha um telemóvel na mão corre o risco de ser considerado pelo Conselho Executivo ou pelo Director de Turma como incapaz de lidar com situações de infracção aos regulamentos.

3.º - As salas de aula têm uma campainha para chamar as funcionárias ou existe uma funcionária no corredor. Quando isto não sucede há um responsável: o Ministério da Educação por não dotar as escolas dos meios humanos, técnicos ou financeiros necessários. Não é culpa das escolas.

4.º - Tanto o Estatuto do Aluno (o novo como o antigo), obrigam à participação das ocorrências. Mas há professores que nem sempre entregam as participações e por várias razões:

a) Medo de retaliação por parte de alunos e de encarregados de educação (o habitual são insultos, danos nos automóveis e agressões física...);

b) Descrédito no funcionamento do sistema sancionatório que foi produzido à semelhança do sistema penal, com um paralizante excesso de procedimentos e de garantismos (na prática era mais penoso para os professores fazer uma participação, inquirir testemunhas, reunir com os pais, convocar o conselho de turma, do que para o aluno infractor que acabaria por sofrer uma pena simbólica);

c) Sentimento geral de impunidade num sistema educativo que incutiu nas escolas e nos professores a consciência de que a indisciplina é geralmente culpa da impreparação dos docentes para lidarem com situações de violência e de indisciplina, fazendo aparecer os infractores como vítimas da sociedade, da família e da escola, e apresentando os docentes como co-responsáveis ou responsáveis exclusivos destes problemas.

Em suma, quando ocorrem problemas, quem mais perturbado fica não é o aluno receando consequências dos seus actos. É o professor que fica atormentado por um sistema pervertido por três décadas de doutrinas libertárias e anarquistas germinadas na Geração de 60 e cultivadas no Ministério da Educação pela Geração Abrilina.

O sistema educativo apodreceu, como apodreceu todo o País. Não há disciplina e autoridade, nem nas famílias, nem nas escolas, nem em toda a sociedade.

O que se passa nas escolas ao nível dos valores como ao nível dos conhecimentos é apenas a consequência (e reflexamente também já a causa) de uma concepção geral de sociedade que o regime abrilino instaurou em Portugal. É a imagem da decomposição da III.ª República...

Em muito, tudo isto, é o suculento fruto dos lemas de juventude da geração que governa Portugal: «É proibido proibir» ou «É proibido punir».

A luta entre uma ignara aluna e uma culta professora lembra-nos como os bárbaros podem vencer a civilização, como os porcos revoltados podem passar a governar a quinta...

José Sócrates é o ícone perfeito desta realidade, uma síntese pura e cristalina do estado a que Portugal chegou...

As mentiras de Rangel, o traidor

Notícia retirada dos blogues A Toupeira, (em RANGEL- As Mentiras E Omissões De Uma Estória) e Pistacídeo (em EMÍDIO RANGEL - HOLLIGAN MENTIROSO - MAIS VALIA TER FICADO CALADO. RANGEL- As Mentiras E Omissões De Uma Estória):

Costuma dizer-se que uma mentira muitas vezes repetida acaba por ser verdade: Há muitos exemplos na História e nas estórias de alguns homens públicos.
Ao longo dos últimos anos, que, reparando bem, já são muitos, Emídio Rangel, quando é entrevistado, repete - sempre da mesma maneira - muitas mentiras que já fazem parte da sua biografia oficial.
Não tenho nada contra o modo como ele tem construído a sua vida , a sua carreira ,e até reconheço e aprecio a sua marca nas principais mudanças na maneira de fazer Rádio e Televisão em Portugal.
Por isso não me proponho analisar todas as mentiras repetidas sistematicamente - algumas delas são mesmo pequenas mentirinhas - nem alguns dos seus métodos de trabalho, onde os fins normalmente justificam os meios.
Todavia, já estou cansado daquela estória - que está a virar História - da fuga heróica de Angola.
A verdade é que Emídio Rangel fugiu como dezenas de milhares de outros colonos, no contexto de uma conjuntura política que não entenderam e com o medo natural de terem que suportar uma guerra que achavam não lhes dizer respeito.
Estava, portanto, no seu direito - fugir.
Mas, a fuga de Emídio Rangel não foi uma simples fuga. Foi, igualmente, uma traição, já que, ao contrário do que sempre vem afirmando ao longo dos anos, ele era um militante "engajado" do MPLA.
Também ao contrário do que sugere em todas as entrevistas, os tiros que aconteceram na madrugada em que fugiu não eram surpresa para ele, uma vez que sabia dos planos para o início da guerra entre os então movimentos de libertação( MPLA contra UNITA/FNLA).
Ele sabia dos planos e, nesse contexto, tinha assumido responsabilidades de comando de um grupo de soldados praticamente sem experiência, que acabaram por se bater sózinhos nesssa guerra, iniciada na madrugada de 20 para 21 de Agosto, altura em que ele fugiu, traindo os homens que deveria ter comandado.
Apesar da fuga dele (planeada durante meses - soube-se depois), o MPLA ganhou a contenda e a 23 de Agosto UNITA/FNLA assinaram a rendição.
Também contrariamente ao que ele sugere, o exército sul-africano não estava ainda em território angolano. É verdade que se tinha concentrado na fronteira, mas, do ponto de vista dele, o perigo acabava logo que passasse a linha.
Quanto às ameaças - que lhe foram transmitidas "por um jornalista ainda hoje na RDP de Coimbra" não é, seguramente, mentira, mas uma verdade para dar côr à estória. É que todos os militantes do MPLA, sobretudo os que, por alguma razão especial se destacavam na vida da cidade, foram ameaçados, quer pela UNITA, quer pelas BJR's da FNLA. A alguns deles fizeram pior: ameaçaram-lhes os filhos.
Só mais um pormenor relativo a esta estória, que sendo uma pequena mentira, não deixa de ser uma grande injustiça:; quem o salvou das garras da secreta sul-africana, que o tinha idenficidado como militante activo do MPLA, foi um outro colega de profissão, de nome Diamantinmo Pereira Monteiro, esse sim sem qualquer ligação política e que arriscou ficar preso em sua substituição, e por isso, teve que suportar por mais algum tempo as condições horríveis dos campos de "concentração" em que foram armazenados os colonos fugitivos de Angola.
Como se vê, as omissões também fazem parte desta estória de Rangel, contada em capítulos oportunos.Além do nome de Pereira Monteiro, há o de Mário Gomes, o tal piloto que levou os pais de avião para Whindoek e o de Saraiva Coutinho, o "ainda hoje jornalista da RDP em Coimbra" .
Na entrevista da revista "Sábado" que me fizeram chegar via Net, Rangel não se refere ao 25 de Abril de 1974, mas, já agora, não quero deixar passar uma outra mentira muito propalada em outras, nomeadamente uma feita por Batista Bastos. Emídio Rangel não era o director da Rádio Comercial de Angola naquela altura e, por isso, não deu instruções nenhumas para que a Revolução de Lisboa fosse noticiada.
Por acaso até conheço a pessoa que era director daquela estação de rádio ao tempo e bem me lembro que ela se transformou, nesse mesmo dia, na primeira voz livre de Angola.
Quanto a outras mentiras que "o velho leão" tem vindo a propalar: é preciso cuidado, porque as pessoas podem cansar-se. Tal como dizia Nheru, referindo-se à ocupação portuguesa de Goa, Damão e Diu: não se pode confundir pacifismo com cobardia.
Alguém avise o Emídio que é melhor servir-se dos seus méritos, das suas qualidades de grande condutor de equipas (desde que não seja contestado), que são muitas, do que continuar a efabular com coisas que já passaram há muitos anos e que só já têm importância para os que, lembrando-as, voltam a sentir-se miseravelmente traídos. E depois, há um perigo de as verdades se trasnformarem em cerejas.
E já agora: fico desejando que recupere completamente dos problemas de saúde que o têm afligido e que volte às lides, para, pelo menos, fazer justiça a alguns amigos (verdadeiros), de quem sempre se serviu para, depois, atirar para o caixote dos ostracizados, uma condição que agora reclama para si próprio, mas que não é verdadeira - outra pequena mentira...

Publicada por M.Pedrosa

Resposta a Emídio Rangel

Num dos comentários à notícia de "O Público" intitulada "Linha SOS Professor quer que Ministério se pronuncie sobre agressão" em
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323322,
ficamos a saber porque é que Emídio Rangel odeia os professores: é que o ódio já vem de longe, de muito longe, quando o menino Rangel era hooligan:

21.03.2008 - 18h17 - Jorge Alves, Lisboa, Portugal
Ora, ora, o Sr. Rangel deve saber muito bem o que andou a fazer no Liceu Diogo Cão, em Angola, nos seus tempos de estudante. Diga lá, Sr. Rangel, o que fez a livros de ponto e a fios eléctricos nos seus tempos de menino colonial. Deve vir daí o seu ódio aos professores. Olhe que a memória ainda não acabou e há quem tenha sido seu colega de liceu. Então porque não conta acerca dos seus problemas disciplinares no Liceu Diogo Cão. Será que também nessa altura os professores já eram Hooligans. Segundo me recordo, no seu tempo nem havia direito a manifestações contra o regime, mas mesmo assim, o Senhor era muito mal educado. Digamos, uma peste!

Não foi só aos professores que Rangel mostrou os dentes. A SIC e os militares foram alguns dos seus alvos predilectos.
Em tempos idos, o jornalista Emídio Rangel dizia que os jornalistas se prostituíam.
Vejam o vídeo em http://www.youtube.com/v/Gom_toAMAnA&hl=pt-br:

Em tempos mais antigos temos Emídio Rangel como protagonista do “caso do berbequim"
Ora leiam (Expresso, 25 de Maio de 2002):

«Caso berbequim» acusa Rangel
O TRIBUNAL de Instrução Criminal de Lisboa confirmou esta semana a acusação a Emídio Rangel, David Borges, Mário Pereira e João Berenguel pelos crimes de apropriação ilegítima de bens e abuso de confiança. O processo dura há seis anos e remonta ao célebre «caso do berbequim» que opôs os membros da direcção da cooperativa TSF. Agora, formalmente acusados, os arguidos incorrem em penas que podem atingir os oito anos de prisão, além das penas de indemnização.


Quem quiser ler mais sobre os comentários deste Senhor, visite os seguintes sites:

Coisas do Circo – Um novo combate, por Emídio Rangel

Coisas do Circo – Os arruaceiros, por Emídio Rangel

Coisas do Circo – O equívoco das maiorias por Emídio Rangel

O Arruaceiro

DN Online: Emídio Rangel

Fórums de suporte: A ARROGÂNCIA DO SENHOR EMÍDIO RANGEL ...

ÚLTIMA HORA - PÚBLICO.PT

A Toupeira: RANGEL- As Mentiras E Omissões De Uma Estória

http://foros.recoletos.es/foros-diarioeconomico/thread.jspa?messageID=4536

Sobre a idoneidade deste hooligan, perdão, deste potencial perigo social e as suas declarações, está tudo dito

O professor está sempre errado

... se é jovem, não tem experiência
... se é velho, está superado
... se não tem carro, é um coitado
... se tem carro, chora de "barriga cheia"
... se fala em voz alta, grita
... se fala em tom normal, ninguém o ouve
... se não falta às aulas, é um tontinho
... se falta, é um "turista"
... se conversa com outros professores, está a falar mal dos alunos
... se não conversa, é um desligado
... se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos
... se não dá a matéria, não prepara os alunos
... se brinca com a turma, arma-se em engraçado
... se não brinca, é um chato
... se chama a atenção, é um autoritário
... se não chama, não sabe se impor
... se o teste de avaliação é longo, não dá tempo
... se o teste de avaliação é curto, tira as chances dos alunos
... se escreve muito, não explica
... se explica muito, o caderno não tem nada
... se fala correctamente, ninguém entende
... se fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário
... se o aluno é reprovado, foi perseguição
... se o aluno é aprovado, o professor facilitou.

É verdade, o professor está sempre errado!
Mas se conseguiste ler até aqui, é a ele que deves agradecer!

in: http://memorialdolamento.blogs.sapo.pt/2007/01/

domingo, 23 de março de 2008

Surrexit Christus, Alleluia!


Uma Boa Páscoa para todos!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Feria VI Hebdomadae Sanctae


ECCE HOMO!





Manuel Maria Barbosa du Bocage
À Paixão de Jesus Cristo


O filho do grão rei, que a monarquia
tem lá nos céus e que de si procede,
hoje mudo e submisso à fúria cede
de um povo, que foi seu, que à morte o guia.

De trevas, de pavor se veste o dia,
inchado o mar o seu limite excede,
convulsa a terra por mil bocas pede
vingança de tão nova tirania.

Sacrílego mortal, que espanto ordenas,
que ignoto horror, que lúgubre aparato!...
tu julgas teu juiz!... Teu Deus condenas!

Ah! Castigai, Senhor, o mundo ingrato;
caiam-lhe as maldições, chovam-lhe as penas,
também eu morra, que também vos mato.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Feria V Hebdomadae Sanctae


1 Ante diem autem festum Paschae, sciens Iesus quia venit eius hora, ut transeat ex hoc mundo ad Patrem, cum dilexisset suos, qui erant in mundo, in finem dilexit eos.
2 Et in cena, cum Diabolus iam misisset in corde, ut traderet eum Iudas Simonis Iscariotis, 3 sciens quia omnia dedit ei Pater in manus, et quia a Deo exivit et ad Deum vadit, 4 surgit a cena et ponit vestimenta sua et, cum accepisset linteum, praecinxit se. 5 Deinde mittit aquam in pelvem et coepit lavare pedes discipulorum et extergere linteo, quo erat praecinctus. 6 Venit ergo ad Simonem Petrum. Dicit ei: “ Domine, tu mihi lavas pedes? ”. 7 Respondit Iesus et dixit ei: “ Quod ego facio, tu nescis modo, scies autem postea ”. 8 Dicit ei Petrus: “ Non lavabis mihi pedes in aeternum! ”. Respondit Iesus ei: “ Si non lavero te, non habes partem mecum ”. 9 Dicit ei Simon Petrus: “ Domine, non tantum pedes meos sed et manus et caput! ”. 10 Dicit ei Iesus: “ Qui lotus est, non indiget nisi ut pedes lavet, sed est mundus totus; et vos mundi estis sed non omnes ”. 11 Sciebat enim quisnam esset, qui traderet eum; propterea dixit: “ Non estis mundi omnes ”. 12 Postquam ergo lavit pedes eorum et accepit vestimenta sua, cum recubuisset iterum, dixit eis: “ Scitis quid fecerim vobis? 13 Vos vocatis me: “Magister” et: “Domine”, et bene dicitis; sum etenim. 14 Si ergo ego lavi vestros pedes, Dominus et Magister, et vos debetis alter alterius lavare pedes. 15 Exemplum enim dedi vobis, ut, quemadmodum ego feci vobis, et vos faciatis.


Et accipiens panem, gratias agens, fregit et dedit eis dicens: «Hoc est corpus meum, quod pro vobis datur. Hoc facite in meam commemorationem».
Et calicem, similiter, postquam cenavit, dicens: «Hic calix novum testamentum [est] in sanguine meo, qui pro vobis funditur».

Chegou a Primavera






...
Vi já que a Primavera, de contente,
de mil cores alegres revestia
o monte, o rio, o campo alegremente.
Vi já das altas aves a harmonia,
que até aos montes duros convidava
a um modo suave de alegria.
Vi já que tudo, enfim, me contentava,
e que, de muito cheio de firmeza,
um mal por mil prazeres não trocava.
Tal me tem a mudança e estranheza
que, se vou pelos campos, a verdura,
parece que se seca, de tristeza.
...

Aquela que de amor descomedido... - Camões




O cisne, quando sente ser chegada
A hora que põe termo a sua vida,
Música com voz alta e mui subida
Levanta pela praia inabitada.

Deseja ter a vida prolongada
Chorando do viver a despedida;
Com grande saudade da partida,
Celebra o triste fim desta jornada.

Assim, Senhora minha, quando via
O triste fim que davam meus amores,
Estando posto já no extremo fio,

Com mais suave canto e harmonia
Descantei pelos vossos desfavores
La vuestra falsa fé y el amor mio.

Camões

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro



Namorou-se uma princesa
Dum pajem loiro e gentil;
Chama-se ela – Natureza,
Chama-se o pajem – Abril.

A Primavera opulenta,
Rica de cantos e cores,
Palpita, anseia, rebenta
Em cataclismos de flores.

(...)
Tudo ri e brilha e canta
Neste divino esplendor:
O orvalho, o néctar da planta
O aroma, a língua da flor.

Enroscam-se aos troncos nus
As verdes cobras da hera.
Radiosos vinhos de luz
Cintilam pela atmosfera.

Entre os loureiros das matas,
Que crescem para os heróis,
Dá o luar serenatas
Com bandas de rouxinóis.

É a terra um paraíso,
E o céu profundo lampeja
Com o inefável sorriso
Da noiva ao sair da igreja.


Guerra Junqueiro










quinta-feira, 6 de março de 2008

Novamente Eça de Queirós, desta vez n'"As Farpas"

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»


Ai Eça, ai Eça! Desta vez, se o Sócrates ler este blogue, não escapas à censura e nem sequer nas bibliotecas das escolas haverá lugar para ti.

Reflexão importante sobre a avaliação dos professores

Antigo modelo de avaliação de desempenho:

Os professores tinham de apresentar um relatório crítico de actividade, que era analisado por uma comissão de avaliação, e de fazer formação na qual tinham de ser aprovados. Se não houvesse anormalidades, os docentes teriam "Satisfaz". Se o professor não tivesse cumprido as suas funções ser-lhe ia atribuída a menção de "Não Satisfaz". Para obter a classificação de "Bom" e de "Muito Bom" teria de se submeter a um processo com várias etapas de burocracia. Existia um sistema de avaliação. O Primeiro-Ministro não pode continuar a mentir, dizendo que não havia.
Passando ao novo modelo de avaliação de desempenho, que não é feito para avaliar os professores, mas para evitar que eles progridam e criar um sucesso fictício e estatístico para europeu ver. É um sistema injusto e impraticável, por vários factores:

1.º Os professores titulares e avaliadores foram escolhidos pelos anos de serviço e não pelo mérito nem pela competência (onde está a preocupação com o mérito e com a excelência?);

2.º Os professores que vão avaliar não têm formação na supervisão de aulas;

3.º Teremos professores de Francês a avaliar aulas de professores de Inglês, e de Educação Tecnológica a avaliar docentes de Educação Física ou vice-versa;

4.º Em muitos casos, os professores avaliados têm muito mais formação do que os avaliadores;

5.º Os professores titulares vão avaliar se os outros recorrem às novas tecnologias e muitos dos avaliadores não sabem enviar um mail, ligar um computador ou o que é um powerpoint;

6.º Os titulares vão avaliar o sucesso dos outros, quando, em grande parte dos casos, são eles que têm uma maior percentagem de insucesso;

7.º Os avaliadores vão avaliar professores de níveis de ensino diferentes daqueles que estão habituados a leccionar, sendo o discurso do docente obrigatoriamente distinto;

8.º Os professores perderão autoridade na sala de aula, perante os seus alunos, no dia em que entrar um titular para avaliar o professor;

9.º Só os resultados dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática poderão ser confrontados com os dos Exames Nacionais do 3º Ciclo, o que é uma injustiça para os docentes dessas disciplinas;

10.º Os professores só ficarão com as turmas com alunos com mais dificuldades, caso não possam fugir, pois terão famílias para sustentar e empréstimos para pagar;

11.º Um professor que queira ser honesto e exigente será avaliado negativamente e corrido do ensino;

12.º Serão premiados os professores de disciplinas que não dêem testes;

13.º Se um professor tiver o azar de ter um aluno que abandone a escola para emigrar ou que os pais não tenham condições para o manter a estudar, será penalizadíssimo na sua avaliação;

14.º Se um docente tiver o azar de perder um familiar próximo ou a sorte de ter um filho, será gravemente penalizado na sua avaliação, se faltar os dias a que tem direito por lei;

15.º Se acompanhar alunos de algumas turmas numa visita de estudo e deixar outras turmas com substituição, também é considerada falta de assiduidade às actividades lectivas, imagine-se!!!!

16.º Como os avaliadores e os avaliados já leccionam juntos há muito tempo, há colegas de trabalho que não se falam e os titulares podem aproveitar para se vingar e estragar a vida aos avaliados...

17.º Numa primeira fase, os titulares não serão avaliados por ninguém (onde está a excelência?);

18.º Não vale a pena ter "excelente" ou "muito bom", porque já não haverá vagas para titulares, quando nos for permitido tentar subir na carreira;

19.º Os resultados da avaliação dos alunos serão comparados entre disciplinas com competências totalmente diferentes. Por exemplo, ao comparar-se os resultados de Matemática com os de Educação Física, descobre-se facilmente qual o professor que sairá penalizado e terá de ir para o desemprego, se obtiver duas avaliações "Regulares";

20.º Os professores serão avaliados pelo recurso às novas tecnologias e as escolas não têm projectores nem telas nas salas, as tomadas não funcionam, a electricidade desliga-se constantemente, nem há extensões suficientes!

21.º Os docentes serão avaliados pelas fichas formativas que forneçam aos alunos e só podem tirar fotocópias de testes de avaliação sumativa e, quando as escolas forem entregues às câmaras, nem a isso terão direito.
Estas são algumas situações reais, haverá muitas outras que eu desconheço. Só um louco pode achar isto positivo, a não ser que se queira destruir de vez com o ensino público, enviando todos os professores para o desemprego.


O que se conseguiu até agora com o novo modelo de avaliação:

a) Há um constrangimento entre os professores titulares e os "professorzecos";

b) Não há diálogo entre os docentes, havendo um "ruidoso" silêncio sepulcral na sala de professores;

c) Não há partilha de materiais por causa da competição, pois as quotas, que ainda não foram publicadas, serão muito reduzidas;

d) Estão todos desmotivados;

e) Os professores estão a entrar na escola às 8 horas e 30 minutos e a saírem depois das 22 horas, sem que ninguém lhes pague horas extraordinárias, a analisar grelhas, indicadores e instrumentos de avaliação, como se estivessem a cavar a sua própria sepultura;

f) Não há tempo para preparar aulas, desenvolver estratégias diferenciadas, elaborar e corrigir testes.

Se nos aspectos que eu referi, houver algo que não seja correcto, agradeço que me provem o contrário pelo e-mail: salvarescola@gmail.com. É evidente que esta avaliação só terá efeitos em 2009, porque as injustiças e os processos em tribunal serão tantos que alguém acordará e mudará tudo outra vez, mas, até lá, seremos umas cobaias de algo que sabemos que foi feito por alguém que não conhece a realidade das escolas.

Sinceramente, digam-me se os professores conscientes não terão direito há indignação.

Gostava de poder explicar estes aspectos ao Primeiro-Ministro e propor um modelo de avaliação mais simples, justo e eficaz, mas ele não me recebe, porque não gosta de ouvir quem está no terreno e porque não sou militante socialista. Sou um reles "professorzeco", como nos qualificou a Ministra, mas vindo dela só pode ser um elogio

… a melhor arma é a escrita vou escrever tanto até ser ouvido por quem possa salvar a Educação.

Será que ainda há força para lutarmos unidos?

Manuel Dias

quarta-feira, 5 de março de 2008

Anedota

Eis mais uma anedota que nos enviaram.

OITO MOTIVOS PARA NÃO SE CONFIAR SEMPRE NOS CONSELHOS DAS MÃES:

1º- Deixa de jogar bola e vai estudar para poderes ter um futuro!
(Mãe do Cristiano Ronaldo)

2º- Pára de gritar!
(Mãe de Luciano Pavarotti)

3º- Deixa de brincar com essas máquinas ou nunca terás nada na vida!
(Mãe de Bill Gates)

4º- É a última vez que rabiscas as paredes da sala!
(Mãe de Miguel Ângelo)

5º- Pára de bater na mesa, estou cansada desses ruídos!
(Mãe de Samuel Morse)

6º- Fica quieto de uma vez, daqui a pouco vais querer dançar nas paredes!
(Mãe de Fred Astaire)

7º- Nada de igualdades, eu sou a tua mãe e tu és o meu filho!
(Mãe de Karl Marx)

8º- Pára de mentir! Tu pensas que estares sempre a mentir te vai ajudar a conseguir ser alguém na vida!?
(Mãe de José Sócrates)

terça-feira, 4 de março de 2008

Vasco Pulido Valente - A avaliação dos professores

In jornal "O Público" de 02.03.2008,

Como se pode avaliar professores, quando o Estado sistematicamente os "deseducou" durante 30 anos? Como se pode avaliar professores, quando o ethos do "sistema de ensino" foi durante 30 anos conservar e fazer progredir na escola qualquer aluno que lá entrasse? Como se pode avaliar professores, se a ortodoxia pedagógica durante 30 anos lhes tirou pouco a pouco a mais leve sombra de autoridade e prestígio? Como se pode avaliar professores, se a disciplina e a hierarquia se dissolveram? Como se pode avaliar professores, se ninguém se entende sobre o que devem ser os curricula e os programas? Como se pode avaliar professores se a própria sociedade não tem um modelo do "homem" ou da "mulher" que se deve "formar" ou "instruir"?
Sobretudo, como se pode avaliar professores, se o "bom professor" muda necessariamente em cada época e cada cultura? O ensino de Eton ou de Harrow (grego, latim, desporto e obediência) chegou para fundar o Império Britânico e para governar a Inglaterra e o mundo. Em França, o ensino público, universal e obrigatório (grego, latim e o culto patriótico da língua, da literatura e da história) chegou para unificar, republicanizar e secularizar o país. Mas quem é, ao certo, essa criatura democrática, "aberta", tolerante, saudável, "qualificada", competitiva e sexualmente livre que se pretende (ou não se pretende?) agora produzir? E precisamente de que maneira se consegue produzir esse monstro? Por que método? Com que meios? Para que fins? A isso o Estado não responde.
O exercício que em Portugal por estúpida ironia se chama "reformas do ensino" leva sempre ao mesmo resultado: à progressão geométrica da perplexidade e da ignorância. E não custa compreender porquê. Desde os primeiros dias do regime (de facto, desde o "marcelismo") que o Estado proclamou e garantiu uma patente falsidade: que a "educação" era a base e o motor do desenvolvimento e da igualdade (ou, se quiserem, da promoção social). Não é. Como se provou pelo interminável desastre que veio a seguir. Mas nem essa melancólica realidade demoveu cada novo governo de mexer e remexer no "sistema", sem uma ideia clara ou um propósito fixo, imitando isto ou imitando aquilo, como se "aperfeiçoar" a mentira a tornasse verdade. Basta olhar para o "esquema" da avaliação de professores para perceber em que extremos de arbítrio, de injustiça e de intriga irá inevitavelmente acabar, se por pura loucura o aprovarem. Mas loucura não falta.

Aqui vai um esquema da tal avaliação (clica na imagem para poderes ler tudo em condições)

Anedota

O Primeiro Ministro, José Sócrates, está a andar tranquilamente quando é atropelado por um condutor das corridas da Ponte Vasco da Gama e ali morre.
A alma dele chega às portas do céu e dá de caras com São Pedro àentrada.
-"Bem-vindo ao Paraíso!"; diz São Pedro
-"Antes que entre, há um problemazito...
Raramente vemos Políticos por aqui, sabe... então não sabemos bem o que fazer consigo.
-"Não vejo problema nenhum, basta deixar-me entrar", diz o antigo Primeiro Ministro José Sócrates .
-"Eu bem que gostaria de o deixar entrar senhor Engenheiro, mas tenho ordens superiores... Sabe como é... Vamos fazer o seguinte: O Senhor passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Depois pode escolher onde quer passar a eternidade.
-"Não é necessário, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o Primeiro Ministro.
-"Desculpe, mas temos as nossas regras. "
Assim, São Pedro acompanha-o até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta abre-se e ele vê-se no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado.
Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, um tipo muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles divertem-se tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e a porta abre-se outra vez. São Pedro está a espera dele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso. Ele passa 24 horas no paraíso, com um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo corre muito bem e, sem se dar conta disso, o dia chega ao fim e São Pedro regressa.
-" E então??? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.
Agora escolha a sua casa para a eternidade." Ele pensa um minuto e responde:
-"Olha, eu nunca pensei ... vir a tomar esta decisão... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar muito melhor no Inferno."
Então São Pedro abanando com a cabeça, leva-o de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta abre-se e ele vê-se no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo e com um cheiro horrível.
Ele vê todos os seus amigos com as roupas rasgadas e muito sujas a mexer no entulho e colocando-o em sacos pretos, repara que, por vezes, os amigos se pegam ao murro e ao pontapé na disputa de pedaços de comida podre.
O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do Primeiro Ministro.
-"Não estou a entender?!", - gagueja Sócrates - "Ainda ontem estive aqui e havia um lindo campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançámos e divertimo-nos durante todo o dia. Agora só vejo este abismo cheio de lixo mal cheiroso e os meus amigos totalmente arrasados!!!"
O diabo olha pra ele... sorri ironicamente e diz:
-"Ontem estávamos em Campanha. Agora, que conseguimos o teu voto... eis a realidade"

segunda-feira, 3 de março de 2008

Sócrates... (o do séc. XXI!)

Um grupo de académicos concluiu, de forma irrefutável, que Cristóvão Colombo era seguidor de José Sócrates:
Partiu sem saber para onde ia, chegou sem saber onde estava, regressou sem saber de onde vinha. Tudo isto à custa do dinheiro dos outros.

domingo, 2 de março de 2008

Avaliação pela lupa de Daniel Sampaio

Uma análise sensata de Daniel Sampaio (2 Março/08, Pública, p.66) sobre a diarreia legislativa deste governo em matéria de educação, neste caso particular sobre o Novo Estatuto do Aluno do Ensino Básico e Secundário (Lei nº 3/2008 de 18 de Janeiro) –, que saiu em Janeiro último… dá no que dá… suspensão de uma Lei (um mês depois de ser publicada em DR), uma Lei que afinal não devia de ter saído a meio do ano lectivo. É uma questão de bom senso, mas sobretudo uma questão ética, não se mudam as regras a meio do jogo sem que os seus actores tenham conhecimento antecipado… que maus princípios e mau exemplo esta tutela da educação está a dar (aos professores, aos pais, aos alunos e ao país)…



In http://revisitaraeducacao.blogspot.com/2008/03/uma-anlise-sensata-de-daniel-sampaio.html#links